Apresentação

PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Reforço de peso na defesa do cooperativismo de leite em Minas Gerais.

Inédita no Estado, Fecoagro Leite Minas foi criada no final de 2016 para fortalecer as cooperativas do setor e promover a intercooperação.

Defesa, valorização e fortalecimento do cooperativismo agropecuário e de leite em Minas Gerais. Esses objetivos nortearam a criação da Fecoagro Leite Minas, iniciativa inédita no Estado, que vem buscando, desde seu primeiro ano de atuação, realizar um trabalho baseado nos princípios e valores cooperativistas de equidade, democracia e intercooperação.

A Federação surgiu da inquietação de dirigentes e executivos de cooperativas do setor em relação à situação do leite em Minas Gerais e no Brasil. Os altos custos, a queda dos preços e a importação desregrada do produto do Uruguai foram grandes impulsionadores da mobilização do grupo. “O principal motivador foi a dificuldade que as cooperativas vêm enfrentando nos últimos anos, principalmente aquelas que atuam no mercado de leite. Assim, a Fecoagro Leite Minas já nasce com foco no fortalecimento dessas organizações”, afirma o Presidente da entidade, Vasco Praça Filho.

Antes da constituição formal da Federação, firmada em de dezembro de 2016, diversos encontros e visitas foram realizados com o intuito de trazer informações relevantes para o embasamento da organização. Pode-se dizer que a primeira mobilização para a fundação da Fecoagro Leite Minas ocorreu durante o 2º Fórum das Cooperativas Agropecuárias, em São Paulo, onde os dirigentes mineiros do setor cooperativista leiteiro enxergaram a necessidade de discutir a criação de uma entidade que defendesse as cooperativas do Estado. “As dificuldades eram visíveis: há cerca de dez anos tínhamos em Minas Gerais mais de 180 cooperativas de leite, sendo que cerca de 100 delas sucumbiram ao longo dessa década. Outra questão que nos saltou aos olhos foi o fato de que nosso segmento não se reunia há 13 anos, ou seja, cada cooperativa buscava resolver seus problemas isoladamente, sem uma estratégia definida. Foi nesse cenário que a Federação evoluiu”, contextualiza Cenyldes Moura, Presidente da Calu. “Participamos desde a formulação da ideia da organização, mesmo antes do Fórum em São Paulo. Já tínhamos uma conversa com os Sistemas OCB e Ocemg, por entender que precisávamos urgentemente de algo que unisse as cooperativas de Minas. O sonho do cooperativismo de leite estava se esvaindo e foi em encontro, na capital paulista, que houve maior adesão”, frisa o ex-Presidente da Cemil e um dos fundadores da Federação, João Bosco Ferreira.

Como resultado, foi organizado um encontro na sede do Sistema Ocemg, em Belo Horizonte, que decidiria os rumos daquela articulação entre lideranças do setor, trazendo para o Estado o debate sobre os desafios e o ambiente de negócios vivido pelo cooperativismo agropecuário, com foco na produção de leite. “O Sistema Ocemg assessorou diretamente a constituição da Fecoagro Leite Minas ao longo dos sete meses de sua “gestação”, em 2016. Organizamos e participamos de inúmeras reuniões da Comissão das Cooperativas Agropecuárias de Leite de Minas Gerais (CCALMG), que serviram como um “embrião”, ressalta o Presidente da entidade, Ronaldo Scucato.

Depois das reuniões, uma série de ações foi preponderante para que a Federação surgisse com força e base conceitual necessárias para a representação de seus membros. A visita na Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coccamig), em Varginha, foi uma delas, porque serviu de exemplo de como cooperativas agropecuárias podem se reunir em para promover o bem comum. Foi também por intermédio da Unidade Estadual mineira que representantes da então CCALMG, grupo que precedeu a organização dos dirigentes em formato de Federação, visitaram o Sistema Ocepar, Unidade Estadual do Paraná. A experiência paranaense incluiu uma visita à sede da Ocepar, a fim de ver de perto o sistema utilizado para gestão e levantamento de dados econômicos e financeiros das cooperativas. Presenciaram também a experiência de intercooperação entre as cooperativas Castrolanda, Capal e Frísia, que atuam em conjunto na produção de trigo e no processamento de leite e de carne. Nesse sistema de cooperação mútua, a cooperativa que possui expertise ou equipamentos específicos de cada setor recebe os insumos dos cooperados das duas outras, privilegiando a colaboração e diminuindo os custos.

Esse grupo cooperativista do Paraná sai na frente ainda com exemplos de projetos de pesquisa, como o ABC, iniciativa que reúne cerca de 250 profissionais para avaliar os produtos que serão oferecidos aos associados, primando pela qualidade. Há ainda o Pool Leite, pelo qual produtores das três cooperativas e de outras dez da região enviam sua produção leiteira para um só local de beneficiamento, visando a queda dos gastos para cooperados e entidades. “Visitamos também a Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), referência na Região Sul e em todo o país. Tudo isso para embasar a criação de uma organização em Minas Gerais, que ainda não sabíamos se seria no formato de associação ou federação”, conta o Diretor Executivo da Fecoagro Leite Minas, Nidelson Falcão.

A estrutura da Federação foi, por fim, escolhida como aquela que traria mais representatividade, dando origem, assim, à criação do estatuto. Novamente com o apoio do Sistema Ocemg, foi concretizada a consolidação da Fecoagro Leite Minas. “Auxiliamos com a orientação para o registro na Junta Comercial, na criação da marca da Federação e na implantação do Programa de Acompanhamento Econômico (GDA) em 53 cooperativas agropecuárias, com análises de 260 balanços”, explica Scucato. O GDA foi uma das ideias advindas das visitações ao Sistema Ocepar. O programa viabiliza um monitoramento sistemático dos principais indicadores de desempenho econômico-financeiro do segmento, permitindo que as informações de balanço das cooperativas sejam transformadas em dados gerenciais, dando mais transparência para a gestão e melhor acompanhamento dos relatórios gerados pelo sistema. 

Outro grande apoiador, desde os primeiros passos da Fecoagro Leite Minas, foi o Sistema OCB, na pessoa do Presidente Márcio Lopes de Freitas. “As cooperativas agropecuárias possuem uma ligação muito forte com a pecuária leiteira e, em Minas Gerais, isso é muito visível. Historicamente, o cooperativismo tem sido muito importante para a pecuária de leite mineira, já que reúne a produção leiteira, organiza a fabricação de produtos lácteos, gera renda e empregos e, assim, viabiliza a atividade no Estado que tem a maior produção do Brasil, incrementada pela grande participação das cooperativas do segmento”, ressalta.

ESTRUTURAR, CRESCER E PROSPERAR

Com 203 cooperativas do ramo agropecuário no Estado, sendo 88 de leite, e aproximadamente 10 mil associados em cooperativas, a Fecoagro Leite Minas vislumbra um amplo contingente de atuação. Atualmente, a organização possui 31 filiadas e o foco é crescer cada vez mais. “A fim de manter o engajamento, fazemos um trabalho que envolve todas as filiadas, mostrando que juntas somos mais fortes. Para conseguir novas ingressantes, fazemos visitas, explicamos o objetivo da Federação e convidamos para as reuniões. Como os encontros são itinerantes, os presidentes acabam sentindo que fazem parte do processo e desenvolvem uma relação de pertencimento e de interesse em fazer parte do grupo”, explica o Presidente da Fecoagro Leite Minas, Vasco Praça Filho.

A representatividade atingida pela entidade no curto período de um ano é motivo de destaque pelo Presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato. “Este é um exemplo de como a união pode fazer a força. É cumprindo bem o seu papel de representação política, social e técnica, como tem feito, que a Federação fará os pleitos dos produtores de leite cooperados serem atendidos”, frisa. Para o dirigente, a estrutura verticalizada de organização das cooperativas é um facilitador para o Sistema Ocemg na defesa do cooperativismo. “Atualmente, são muitas as questões que transcendem a compreensão e o domínio do produtor rural envolvendo lácteos, a exemplo de temas regulatórios sobre qualidade, sanidade do rebanho, acordos de cotas de importação, abertura de mercado externo, rotulagem, dentre outros. Apenas unificando esforços e com instituições fortes e de elevado reconhecimento é que serão realizadas defesas, auferindo importantes conquistas ao segmento”, lembra o Presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.